Wednesday, October 15, 2008

As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

(Eugénio de Andrade)

3 Comments:

Blogger Philia said...

"Se um dia te fores
quero que saibas que descobri
um coração que bateu mais forte
todas as vezes que pensou em tí"

Bjs e abraços... hummm ;)

7:14 PM WEST  
Blogger Lurdes said...

Gosto tanto deste poema!
Beijinhos

6:27 PM WEST  
Blogger laida said...

Não conhecia... Mas adorei!!!
beijinhos

9:19 PM WEST  

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