O Poema é uma Rosa

O poema é uma rosa que se oferece a alguém.
Colhem-na todos, cheira-a quem quiser,
Mas a rosa é só de quem a recebe sua.
Ou então o poeta reserva-a para si,
Mais pura que as rosas orvalhadas,
E entrega-a ao tempo
Para que a deixe ressequida
Desfolhada, (des)nutrida da sua essência
Mas sempre renovada e válida
Como todas as rosas pressentidas
Num herbário de silêncio
Um dia a rosa será o próprio tempo
rosa de mármore a arder no fogo
Eterno voará para os dedos
Ocasionais de quem lhe souber
Ainda captar o odor primeiro
"Autor desconhecido"
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