Tuesday, June 02, 2009

Depois de tanto tempo...

......novidades e muitas outras coisas que fui fazendo ao longo deste tempo que ficaram por dizer no seu momento oportuno, mas como nunca é tarde para actualizar informaçao deixo aqui um Breve Poema que encontrei..... A Papoila
A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.
E, no verde manso do trigal - se aparece
É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente
ao toque do tempo - compassos do vento!...
É a gargalhada insólita, inesperada
que desfralda a revolta recalcada !
E... a papoila sabe!
Cativante! - Erótica, ao tacto macia...
tem toque de pele - morna como um ventre ...
tem toque de seda - um mole de veludo
- Um nada de cada - um pouco de tudo ...

Por isso, disfarça o olhar pestanudo
de estames fartos que o ópio perturba...
- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem
na cor escaldante que as pétalas tem.
- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!
- Sou de sangue e lume!...
- E, só se colhida - de morte já ferida
em requebro de tango, maldosa, perdida
sensual, pagã - confessa o ciúme
de usar veneno em vez de perfume.

By Maria José Rijo
LIVRO DAS FLORES

Sunday, November 23, 2008

Poema à boca fechada

(Foto: Homem estátua - Madrid - Preciados)
(José Saramago)

Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.

Calado estou, calado ficarei,

Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,

Ácidas mágoas em limos transformadas,

Vaza de fundo em que há raízes tortas.


Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,

Palavras que não digam quanto sei

Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,

Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam

No negro poço de onde sobem dedos.


Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,

Que quem se cala quando me calei

Não poderá morrer sem dizer tudo.


(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

Thursday, November 20, 2008

Hoje....Día Internacional da Criança.....


Nao, nao pensem que estou equivocada......até hoje, nao sabia que o dia oficial é o dia 20 de Novembro. O dia da aprovaçao da Declaraçao dos Direitos da criança. A maioria dos países comemoram no dia 1 de Junho, tal como em Portugal, mas aqui em Espanha é no dia 20 de Novembro.
De qualquer maneira a data nao interessa, interessa é que os direitos das crianças sejam cumpridos todos os dias, um facto que é esquecido por muitas pessoas em muitos países.
Carpe Diem Be Happy!

Tuesday, November 18, 2008

Alto Campo

Numa escapadela de fim de semana a Bilbao a visitar familia, fizemos um desvio por Cantábria e esquiamos durante um dia.

HAVIA NEVE E SOL!

Alto Campo é uma estância pequena, mas deu para matar as saudades de pôr os pés nos esquis.

As pistas da parte baixa nao estavam muito boas quanto à neve, mas na parte mais alta estavam muito bem! Gostei muito de 2 pistas vermelhas e da paisagem envolvente.

Espero que as condiçoes climatéricas sejam boas e propícias a nevadas no próximo mês para que possa disfrutar novamente da neve noutra estância.
Sierra Nevada já abrio, Navacerrada, la pinilla e valdesquí preparam a sua abertura.....espero que sim! Pois estas três últimas apesar de serem pequenas estao muito próximas de Madrid.


Aqui vai algumas fotos:





Camino

Camino, foi o último filme que fui ver e que das 2h23min de filme nao tirei os olhos desta história comovedora. Está baseada em factos reais. Um filme que criou alguma controversia.

Um filme que me entristeceu e me revoltou por outro lado. Nao vou fazer comentários para nao ferir susceptibilidades.

Nao sei se em Portugal este filme vai pasar, mas se puderem nao deixem de o ver.

"El Opus Dei, el fanatismo religioso y la tragedia de la muerte adolescente son el duro telón de fondo de la polémica última película de Javier Fesser."

Estreno: 17-10-2008
Año: 2008
Género: Peliculas de Drama
Actor / Actriz: Lola Casamayor, Nerea Camacho, Carme Elias, Mariano Venancio, Manuela Vellés, Pepe Ocio, Lucas Manzano, Ana Gracia
Guionista: Javier Fesser
Director: Javier Fesser
Cinemat/Montador: Javier Fesser
Fotografía: Alex Catalán
Producción: Luis Manso, Jaume Roures
Productores ejecutivos: Luis Manso, Javier Méndez
Productora: MEDIAPRO
Distribuida por: Alta Films
Sinopsis: Pamplona, Junio de 2001.

Camino, una preciosa y dulce niña de once años, vive sus últimos momentos en la habitación de un hospital. Rodeada de familiares, amigos, sacerdotes y un número inusitado de personal clínico, da a todos un casi sobrenatural ejemplo de muerte serena y feliz. En una atmósfera de santidad y cuando parece que la muerte es ya inevitable, ocurre algo extraordinario en la habitación.

Inspirada en hechos reales, CAMINO es una aventura emocional en torno a una extraordinaria niña de once años que se enfrenta al mismo tiempo a dos acontecimientos que son completamente nuevos para ella: enamorarse y morir. CAMINO es, sobre todo, una luz brillante capaz de atravesar todas y cada una de las tenebrosas puertas que se van cerrando ante ella y que pretenden inútilmente sumir en la oscuridad su deseo de vivir, amar y sentirse definitivamente feliz.

Uma escapadela a nao perder....

E depois de estar uns dias nesta cidade encantadora que é Paris, deixo aqui umas fotos que nao dizem o que é a cidade......ir para ver e sentir......




Wednesday, October 29, 2008

De viagem....


Carpe Diem.....Be happy.....

Sunday, October 19, 2008

Pensa...

(Foto: Penhiche....ao longe Berlengas.)

Al final, no nos acordaremos tanto de las palabras de nuestros enemigos, sino de los silencios de nuestros amigos (Martin Luther King, Jr.)

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos

viajavam pelo deserto e em um determinado

ponto da viagem discutiram. O amigo ofendido, sem nada dizer,

escreveu na areia:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO ME BATEU NO ROSTO.

Seguiram e chegaram a um oásis

onde resolveram banhar-se.

O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo.

Ao recuperar-se pegou um estilete

e escreveu numa pedra:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.

Intrigado, o amigo perguntou:

Por que depois que te bati,

você escreveu na areia e agora que te salvei,

escrevestes na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

Quando um grande amigo nos ofende,

devemos escrever na areia onde o vento

do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar.

Porém quando nos faz algo grandioso,

devemos gravar na pedra da memória e do coração;

onde vento nenhum do mundo poderá apagar.

(Autor desconhecido)

Wednesday, October 15, 2008

As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

(Eugénio de Andrade)